Associação Cultural Ponto de Partida
Barbacena, MG

Talvez por trazer implantado em sua estrutura o gene de sua origem como movimento cultural, comprometido com projetos de mobilização e cidadania, ligado às diversas áreas do fazer cultural como música, literatura, artes plásticas, jornalismo, educação. Talvez por vocação ou formação, o fato é que o Ponto de Partida cresceu tecendo laços, fundando parcerias, estabelecendo alianças.

Por catalisar e mobilizar desejos e sonhos, conquistou uma representatividade que logo lhe exigiu uma escolha - se quisesse de fato intervir no contexto do seu tempo histórico, mais que o representante, era preciso ser o portador desses desejos. Ora, desejos não se transportam em potes, é preciso encontrar uma forma para expressá-los.

Então nos inventamos um grupo de teatro e fizemos uma opção que nos determinou - não nos mudaríamos de Barbacena, mas também não aceitaríamos os limites da província. Não seríamos emigrantes, mas viajantes e hospedeiros.

Estava instalada uma picada na contramão da produção cultural brasileira, que há muito já havia definido seu endereço e suas vitrines. Modificar este fato exigiria três condições básicas: originalidade, trabalho e competência. A partir disso o grupo definiu suas diretrizes: trabalharia com pesquisa, principalmente da cultura brasileira, e investigaria uma linguagem que conquistasse uma identidade e colocasse o homem brasileiro no palco, no papel principal. Seu principal investimento seria em formação, contínua e diversificada, na busca incessante por qualidade e aperfeiçoamento. Seria itinerante e independente e, portanto, mais do o que dominar, era preciso inventar formas alternativas e efetivas de produção.

Nestes vinte e nove anos o Ponto de Partida tornou-se uma companhia de repertório, itinerante, independente, com 21 profissionais em exercício permanente, 30 espetáculos montados e cunhou uma marca. Sistematizou processos e métodos de criação e produção, conquistou parcerias, construiu um repertório de dramaturgia brasileira dos mais consistentes, inaugurou um canto aprendido no ventre das minas e ele rompeu forte das entranhas das Gerais ressoando pelo Brasil e as lonjuras da África, da Europa e da América do Sul.

Nestes anos conviveu ou trabalhou com figuras referenciais da cultura brasileira como, Milton Nascimento, Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Paulo Gracindo, Jorge Amado, Manoel de Barros, Álvaro Apocalypse, Maestro Ademarzinho, Adélia Prado, Bartolomeu Campos Queirós e com meninos, operários, policiais, anônimos que marcaram sua trajetória. Experimentou vivências inesquecíveis em suas viagens. A Angola, em plena revolução. Em Paris onde representou o Brasil nos 50 anos da Unesco e apresentou-se, anos depois, no Théâtre des Champs-Élysées com os Meninos de Araçuaí e Milton Nascimento. Nas temporadas em Montevidéu, onde conheceu e ainda conviveu com o lendário diretor do El Galpon, Atahualpa del Cioppo. Em suas andanças pelo interior de Portugal apresentando em antigos claustros, ruínas de castelos, teatros centenários, ou cortando o sertão mineiro atrás dos rastros desse homem-humano, brasileiro e hóspede do universo, inacabado e em travessia, estranha dualidade presa num só corpo, aleijão e milagre, jagunço e herói, mítico e bizarro, homem e mulher, Deus e o diabo, e que os desavisados acreditam ser uma invenção de João Rosa. Conquistou prêmios como a Medalha do Mérito Cultural, da Presidência da República, a Medalha da Inconfidência Mineira, do governo de Minas Gerais e o respeito profundo de seu público com quem estabeleceu laços fecundos e apaixonados.

Por configurar-se como uma referência de estrutura de grupo no universo cultural do Brasil, por construir uma trajetória singular e inovadora, pela qualidade que já conquistou e que busca incessantemente, o trabalho do Ponto de Partida tornou-se exemplar, estimulando a criação de novos grupos, promovendo um intercâmbio permanente com os vários movimentos espalhados por Minas e pelo Brasil, repassando processos, métodos e tecnologias que já incorporou e sistematizou.

Por tudo isso seu núcleo original ampliou-se aglutinando profissionais das mais diversas áreas e centenas de jovens em busca de formação. Atualmente o Ponto de Partida é responsável direto pela formação ou o trabalho de 211 pessoas. Os 15 profissionais do grupo, que se dividem e se somam como atores, cantores, produtores, mobilizadores, técnicos, músicos, professores, diretores, 9 músicos que trabalham como mestres na Bituca e na Casa de Arte&Ofício e atuam nos espetáculos musicais do grupo, 120 aprendizes da Bituca - Universidade de Música Popular, 20 jovens atores que fazem formação na Casa de Arte&Ofício, 40 crianças do coro dos Meninos de Araçuaí e 8 profissionais que trabalham permanentemente em sua equipe técnica.

Parece, às vezes, que o Ponto de Partida não é um grupo de teatro, mas uma fundação cultural que tem que manter sua atuação no nível da excelência, para que todos esses projetos sejam eficientes, fecundos e prazerosos. No entanto o trabalho indescritível que tudo isso nos obriga não nos roubou a paixão, a humildade de respeitar os mistérios, a paciência de amadurecer desejos ao sereno, a coragem de desbravar o sertão, a alegria para grandes pelejas, o prazer de inventar histórias, a mania de entortar o rumo das coisas e a certeza de que quando o sonho e o trabalho se juntam, até o milagre é possível.

Dados da Instituição
Tipo:
Escola, Espaço, Grupo
Ano de Fundação:
1982
Telefone:
(32) 3331-5803
Fax:
(32) 3331-8211
Celular:
(32) 9923-3722
E-mail:
contato@grupopontodepartida.com.br
Endereço:
Rua Gal. Câmara, 11 - Centro CEP: 36.299-102
Cidade:
Barbacena
Estado:
MG
Dados do Responsável
Nome:
Maria de Fátima Jorge
Função na Instituição:
Coordenadora geral
Telefone:
(32) 9977-1028
E-mail:
fatima.jorge@yahoo.com.br
Perfil da Instituição
Vinculada a entidade / associação:
Não
Possui publicações:
Não
Como adquirir produtos da Instituição:
contato@grupopontodepartida.com.br ou pelo site
Eventos e cursos realizados:

Bituca-Universidade de Música Popular - de dois em dois anos – informações 32 3331 0348

Níveis dos cursos oferecidos:
Livres
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Centro de Pesquisa e Memória do Teatro do Galpão Cine Horto - Rua Pitangui, 3613 - Bairro Horto - Belo Horizonte - MG
Tel: 31 3481.5580 - portalprimeirosinal@gmail.com
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